Enquanto servidores da saúde de Santana do Ipanema estão em greve na luta pela implantação pelo PCCV já aprovado pelo Legislativo Municipal e sancionado pela prefeita, os escândalos naquela secretaria não param de acontecer.
Foi aberto na 4ª Delegacia de Polícia um Boletim de Ocorrência denunciando o sumiço de vários cheques, enquanto outros dois foram pagos com rasuras.
Segundo informações colhidas através do vereador Meirica, um dos cheques pagos com adulteração de valores saltou de R$ 500 reais para R$ 7 mil.
A secretária de saúde Izabel está sendo solicitada pela bancada de oposição, para que dê explicações ao Legislativo sobre esse misterioso caso. O Regimento Interno da Câmara de Vereadores prever a convocação de qualquer secretário municipal àquela casa, desde que seja aprovada, em plenário, por maioria simples de votos.
Seria interessante que os funcionários da saúde que há muito vêm sendo enganados pelo Executivo, com promessas vãs, pressionassem os vereadores que dão apóia a essa administração nefasta para que a convocação da secretária de saúde Izabel ocorresse sem qualquer obstáculo.
Dois comentários feitos pelo integrante do Fórum de Controle de Contas Públicas de Alagoas – PCOPAL, Paulo Bomfim, em textos distintos deste blog, mereceu nosso destaque. Veja:
Prezado Sérgio Campos,
Boa tarde!
Acabo de lê a matéria sobre Palestina, divulgada através do Informativo da Comissão de Cidadania daquele Município. A situação sócio-política daquela população é realmente das piores que conhecemos. A começar pela Estrada de acesso. São em torno de 6 km praticamente intransitáveis. Quem por ali passa, pergunta-se o que fazem Prefeito, Secretários e a maioria dos vereadores. Observa-se que, inclusive, Prefeito e diversos Secretários não residem no Município. Talvez seja por isso que por ali não transitam regularmente. As perseguições político-administrativas são assombrosas. Como a população não tem imprensa local fica sem poder denunciar os fatos. Daí a importância desse informativo e de sua divulgação via internete. Assim, a sociedade alagoana fica sabendo como a vida ali é sofrida. Esta entidade tem realização seminário sobre cidadania. Já foram três! Em todos eles a administração negou o acesso a escolas municipais. O acontecimento mais recente ocorreu ontem, 09/11. Teve como lema: “COMBATE À CORRUPÇÃO MUNICIPAL” e duas palestras como tema:“A Corrupção e a Criminalidade Alagoanas Impedem o Nosso Desenvolvimento Social?” e “As ações da Polícia Federal têm Eficácia no Combate à Corrupção Municipal?”. Mais uma vez, a escola municipal que estava sem aulas, inclusive, não foi cedida. O evento realizou-se no Salão Paroquial, que ficou lotado. Estiveram presentes diversas entidades. Em todas as oportunidades, a população se mobilizou e realizou os eventos em outros locais. Segundo denúncias dos vereadores Cláudio Cabudo (PSC) e Tostoio (PSDB), bem como da vereadora Marilene (PSDB), a atuação da Câmara é de conveniência com os maus interesses da gestão. As irregularidades lá praticadas não sofrem qualquer repúdio da maioria do parlamento. Lá, secretários são acusados de humilharem e até ameaçarem servidores e não só com injusta demissão. Funcionários denunciam que ações judiciais que contrariam interesses da gestão municipal não tramitam rapidamente, apesar daquelas a favor dos interesses dos gestores terem tramitação relâmpago. Irregulares obras públicas são realizadas por empresa ligada à família do Prefeito. Membros da Comissão informam que em breve uma audiência pública irá debater a omissão de diversos segmentos do poder público, em especial do Tribunal de Contas Estadual ao longo desses anos. – Fórum de Controle de Contas Públicas em Alagoas.
Acabo de lê a matéria “Quem roubou o Ipanema?”
Tal situação não dá para adjetivar. Seriam qualificações abomináveis! No entanto, a sua matéria serve para que as pessoas, em especial, as torcedoras, despertem para o perigo da aliança eleitoral e o futebol. Futebol, sim, pois ao escutar rádios, assistir tevês ou ler algum jornal, tem-se a impressão de que só existe futebol. E as diversas outras modalidades? A aliança eleitoral e o futebol têm produzido sempre o caos para essa espécie de desporto. Quando há conveniência e interesses não explicitados, consegue-se incluir até recursos públicos no orçamento público municipal e liberar a respectiva quantia. Isso já motiva a população participar e saber que precisa acompanhar a elaboração, votação e a feitura dos gastos ou execução orçamentária. Quando o interesse eleitoral ou até outro acaba o orçamento passa a não contemplar os “investimentos” e os gastos com a equipe desaparecem.
Pior é quando começa a desaparecer o patrimônio, com nesse caso. Mesmo ante o poder das pessoas envolvidas, há necessidade de que a imprensa e a população peça explicações a essas comissão e diretoria interina. Pelo que compreendi reina um silêncio geral. Realmente esse silêncio é muito estranho e, com certeza, só ajuda a malfeitores e não ao Ipanema. Talvez a Polícia Civil daqui dê uma explicação à sociedade para esse crime de furto e encontre parte do patrimônio do time. Senão, senhora Santana cobrará de muita gente essa (ir)responsabilidade. Parabéns ao Robério pela árdua luta e por não ter esmorecido. Eis a posição do Fórum de Controle de Contas Públicas em Alagoas.
Prefeita promete PCCV, porém promessa para proletariado parece pura provocação.
Pequenos proventos pagos pela prefeitura produzem passeata para protestar.
Precisamos preparar pessoas para produzir planos prósperos.
Pois pelegos patéticos, patetas, pastelões prontos para prejudicar proletários permitem plena proteção para patrimônio “poupado” por patrões perversos.
Quando o governo municipal expõe o slogan educação levado a serio, confirma apenas que ninguém pode sorrir com os descasos e desmando desta gestão.
A educação do município de palestina é de clamar misericórdia. Nem nos anos mais sombrios do coronelismo militar se teve tanta coação e desmando. Quem não votou no prefeito laranja são perseguidos demitidos e humilhados das mais diferentes formas. Os poucos professores que resistem são opressos até mesmo de estudar.
Como forma de retaliação foi anulado um contrato de convênios entre o município de palestina e a universidade UNEAL/CAMPUS II em janeiro deste ano. Tudo isso retrata a falta de compromisso promovida pelo gestor com objetivo peculiar de dificultar o acesso dos professores ao conhecimento acadêmico.
E é com grandes dificuldades e a duras penas que os professores resiste e buscam seus objetivos que é almejar o engrandecimento intelectual, cultural e profissional, mesmo passando o acanhamento de pegar carona na pista para se deslocar de palestina a Santana do Ipanema. Enquanto que 4 professoras aliadas e alienadas têm a sua disposição transporte oficial pago pelo poder publico municipal.
O desvio de função é gritante. Por serem correligionários, serviçais e vigilantes continuam dando aulas. A compra de merenda dar-se com uma empresa de origem duvidosa e sem licitação. em pleno mês de dezembro o contrato de locação de veiculo é assinado com pessoa já falecida. Segundo o TCU, o transporte de professores e estudantes dar-se por uma combi ano 98, sem portas , onde este mesmo veiculo foi fotografado e exposto como sucata no ano de 2005 por esse mesmo gestor; detalhe, na ocasião havia portas, a mesma combi agora transporta professor de Palestina a vila Santo Antonio e alunos em nº de 31 da Filomena / Vila Santo Antonio/ Lagoa da Sela, (mesmo sem a porta). A falta de combustível já virou rotina, inúmeras vezes professores e alunos ficaram sem o sucateado transporte. Enquanto um carro com melhores condições foi, leiloado a qualquer preço. Outros carrões importados são comprados e colocados em nomes de terceiros (laranjas). Denúncia feita a Policia Federal inclusive.
A biblioteca municipal (funciona?) na escola municipal Pedro Felix, no local existe apenas um “ferro-velho” de livros sem nenhuma estrutura, mesmo com a Lei Orçamento Anual (LOA) afirmar que é destinado recursos para reestruturação da biblioteca.
O centro de inclusão digital doação do governo federal equipado com computares e antena de internet de banda larga foi inaugurado dia 27/08/2009 nas dependências de uma escola que recebe o nome de uma das avós do gestor, e até essa data nenhuma pessoa nunca teve oencanto de usar um maquina deste centro de inclusão digital. Com isso privando a população de informações e de conhecimentos do mundo global.
A secretaria de educação é desprovida de qualquer amabilidadeeinteligência, Pesquisa demonstra ainda que o menor salário de professor em Alagoas seja o de Palestina. Embora mintam sobre os recursos para não ratear a sobra deste ano.
No próximo informativo serão acrescentados os números dos recursos do FUDEB.
Hoje pela manhã o ex-prefeito de Santana do Ipanema Marcos Davi foi a imprensa local a fim de denunciar, juntamente com alguns pequenos pecuaristas, a visita indesejada que vêm sofrendo algumas propriedades no sertão alagoano. O que me chamou a atenção foi o fato de Marcos Davi ter citado como exemplo o caso da invasão a fazenda (uma das maiores da região) do prefeito de Maravilha (AL) Márcio Gomes. Segundo relatou MD este roubo foi diferente dos realizados nesta região: “eles mataram um boi, levaram a carne e deixaram só o couro”.
Após a entrevista de MD a uma rádio local fiquei imaginando a nova forma de roubo dos “nossos” larápios.
Com quem esses ladrões teriam aprendido a proceder dessa forma?
E aí comecei a imaginar como os políticos por aqui têm agido contra o patrimônio público. Levam o principal (dinheiro) e deixam só a carcaça do órgão, seja Municipal, Estadual ou Federal.
Diante disto resolvemos buscar algumas informações sobre quem é Márcio Gomes, um dos reclamantes da ação dos ladrões.
Qualquer semelhança será mera coincidência?
QUEM É MÁRCIO GOMES?
O prefeito eleito de Maravilha é casado com Maria da Conceição Ribeiro de Albuquerque, atual vice-prefeita, acusada de distribuir di-nheiro a torto e a direito para ganhar a eleição, junto com o marido. Márcio Guedes vem a ser cunhado do deputado Antônio Albuquerque, chefe da organização criminosa que desviou R$ 300 milhões da Assembleia Legislativa de Alagoas.
Mário Guedes (Márcio Gomes) foi diretor do Detran por indicação do cunhado-deputado, de onde foi afastado sob suspeita de envolvimento com a distribuição de carteiras de motoristas para cabos eleitorais e outros escândalos. Ele também foi preso pela Operação Navalha junto com outros assessores da Seinfra (Secretaria Estadual de Infraestrutura) acusados de receber propina do empresário da Gautama, Zuleido Veras.
Santana do Ipanema vive um dos piores momentos da história de sua administração. Instalou-se neste município uma das mais nefastas ditaduras coronelistas, como nos velhos tempos. Membros de uma única família, usando o poder da compra de consciências, apossaram-se da administração municipal e fizeram o município retroceder nos âmbitos político e social, revelando, hoje, características só identificadas nos mais atrasados núcleos interioranos de séculos passados.
No âmbito político, conseguiram acabar com qualquer arremedo de oposição, obrigando os cordeiros a se desfazer até mesmo da fantasia de lobo que às vezes usavam.
Em relação ao atendimento social às camadas da população mais necessitadas, pode-se dizer que, em Santana do Ipanema, ocorre um dos mais cruéis massacres e desprezo pelo povo. Para comprovar isso, basta que se faça uma visita ao hospital público ou a uma das escolas municipais, ou mesmo à única creche mantida pela administração do município.
Contando com elementos subservientes, dispostos e executar os trabalhos mais sujos a troco de privilégios menores, a tal família exerce influências até mesmo no seio de muitas famílias, ao ponto de desagregá-las, criando desavenças entre irmãos, pais e filhos, parentes e amigos.
Se um membro de uma família santanense se dispuser a militar na política fazendo oposição aos coronelistas aboletados no poder municipal, ou aos seus tentáculos na Assembléia Legislativa, logo algum membro daquela família será cooptado através de nomeação a insignificantes cargos públicos, transformando-se em um de seus cabos eleitorais e bajulador, condição obrigatória para que assuma o tal cargo.
No caso de irregularidades administrativas ou desvio de conduta dos titulares do poder, a família conta com aquilo que se pode chamar de boi de piranha, que são elementos jogados na arena para serem devorados pelas feras sedentas de “justiça”. E não faltam indivíduos dispostos a se sacrificar por qualquer trocado que garanta a sua subsistência.
Seria até risível falar em “imprensa santanense”. O que se pratica aqui é o aluguel dos meios de comunicação ao poder público municipal. Não se ouve uma só voz que deles discorde, menos ainda que trate das denúncias que por acaso cheguem ao Poder Judiciário, tratando de supostos atos ilegais praticados pela atual administração do nosso município. Pelo contrário! Quando tratam de assuntos dessa natureza, o fazem defendendo-a, colocando em dúvida as acusações e tentando desqualificar o denunciante.
A rádio comunitária Boa Nova, que funcionou no bairro Lajedo Grande há poucos anos, tentou fazer um trabalho de verdadeiras denúncias contra os desmandos dessa gente que se sente hoje dona do município. Mas não demorou muito para que, agindo na surdina, o coronelismo dos novos tempos usasse seu poder, como nos velhos tempos, para fechar a emissora. E não precisaram aparecer como mandantes da arbitrariedade, pois, como já foi dito, eles contam com uma jagunçada a seu serviço.
Naquela oportunidade usaram um radialista para denunciar as atividades da rádio. Logo apareceu um juiz que ordenou que policiais fechassem e confiscassem todo o equipamento da emissora, alegando que ali não se poderia tratar de assuntos políticos. O próprio juiz também nos disse que certo radialista teria denunciado a rádio, informando que ela estaria funcionando ilegalmente. Isso mesmo, não estou exagerando, foi exatamente isso que moveu a ação judicial: abordagem de temas políticos nos programas da emissora e instalação clandestina. Evidentemente que esta segunda parte da acusação foi apenas complementar, o que motivou mesmo o fechamento da emissora foi a atividade política, como se esta caracterizasse transgressão às leis.
Na última eleição para prefeito, dois vereadores foram vitimas da fúria da família ditatorial de Santana: Adenilso Oliveira, por se negar a participar de aliança com eles, viu sua reeleição ir por água abaixo, depois que um pau-mandado deu entrada na Justiça Eleitoral pedindo a anulação de sua candidatura, alegando atraso na documentação. O outro foi Afonso Gaia, desafeto declarado dessa poderosa família. Afonso passou os quatro anos de seu mandato denunciando os desmandos dessa administração, tais como: emissão de cheque sem-fundo, nepotismo, perseguição, contratações ilegais, entre outros. Mas a esperada vingança não tardou. Manobraram a politicagem a partir da capital e o vereador Afonso Gaia foi “obrigado” a fazer parte de um “chapão”, conhecido como “chapão da morte”, ficando impedido de apoiar publicamente outro candidato. A Câmara perdeu Adenilso e Afonso, as raras forças de oposição a tal família aquartelada no poder municipal.
Tivemos casos de sindicalistas que aparentemente os perdemos para esse poder coronelista. Digo aparentemente porque na verdade não perdemos nada, pois se tratava de elementos que, quando faziam arremedos de luta contra os poderosos e pareciam engajados na luta por melhores salários e condições de trabalho, estavam apenas chantageando, colocando à venda suas consciências, ou melhor, inconsciências. Foram aliciados por algumas moedas e cargos menores. Mas eles não sofreram apenas o nosso desprezo, pois aquele próprio que se tornou senhor de suas vontades, expressou toda sua arrogância afirmando que eles teriam lhe custado “muito barato”. Ora, qualquer que tenha sido o preço, custaram muito caro, pois sujeitos dessa espécie não valem um centavo furado. Além disso, foram pagos com dinheiro público, com o nosso dinheiro.
O atual vice-prefeito já foi também um suposto adversário que incomodava a família poderosa. Porém esse teve “melhor” sorte. Depois de fazer graves denúncias, que, se levadas a sério, causariam até a perda do mandato da prefeita, transformou-se, da noite para o dia, e o “adversário político” tornou-se um servil aliado. São coisas que fazem a gente ficar especulando sobre os verdadeiros motivos que levaram o camarada a se juntar com aqueles a quem ele havia denunciado, chegando mesmo a esbravejar contra eles.
Esse mesmo vice-prefeito, quando do seu mandato de vereador, foi autor da Lei de Gestão Democrática, lei que determina que os diretores de escolas municipais sejam escolhidos por voto direto dos funcionários das escolas, alunos e pais de alunos. Até hoje a dita lei nunca foi cumprida, como também nunca foi cobrado ao Ministério Público sua execução.
Outra lei que também foi descumprida até a semana passada, quando o MP acatou uma denúncia e afastou a filha da prefeita de um cargo público, foi a lei municipal contra do nepotismo, uma regulamentação baseada na lei federal e criada pelo vereador Afonso Gaia há pelo menos três anos. Mesmo com este afastamento, ainda se encontram exercendo assessorias: um irmão da prefeita; uma cunhada; dois genros e um cunhado.
Alguns dirão: “Sérgio escreveu magoado, despeitado, com inveja. Isso é o choro de um derrotado!”.
A esses respondo: Quem me conhece sabe que desde muito jovem luto em favor da dignidade no trato com a coisa pública. O tom com que estou tratando esses assuntos aqui é mesmo que uso desde minha adolescência, quando tive meus primeiros lampejos de consciência político-ideológica. E tudo se fundamenta na educação familiar que recebi.
Este artigo teve a revisão do editor-chefe da Agência Assaz Atroz
A entrevista retransmitida hoje pela Globonews de um dos mais importantes articuladores, e amigo íntimo (por sinal muito íntimo) de Collor à presidência da Republica em 1989, Cleto Falcão não traz muita novidade diante do que já se sabe sobre uma das mais polêmicas eleições direta do Brasil, mas revela cada vez mais detalhes da podridão usada pela direita para se apossar do poder a qualquer custo. Cleto Falcão que já tinha exercido a função de líder do Governo Collor na Assembleia Legislativa de Alagoas, detinha total confiança deste, ou seja, o homem abria e fechava portas a um estalar de dedos. Sobre a suposta busca pelo PT ao filho de Collor em Alagoas veja o diz inicialmente Falcão: “O pessoal do PT – da campanha de Lula – esteve aqui em Alagoas. Rodou, rodou e, na realidade, foi incompetente. Não tiveram a competência de localizar o menino – que morava aqui em Rio Largo, uma cidade vizinha de Maceió”, para depois afirmar: “Quem ficou encarregado de resolver (esconder o menino e a mãe) foi Cláudio Vieira (secretário de Collor) – que o fez com competência. Tirou o menino daqui, com a mãe. Só voltou depois da campanha”. Quer dizer que pegar alguém e esconder por um pequeno período é muita competência, porém não encontrar, uma pessoa que não se conhece, e que não se sabe nem se existe é incompetência?
Acompanhe parte da entrevista.
por Blog do Genneton
A Globonews reapresenta, neste domingo (ao meio-dia e meia) e na segunda (três e meia da tarde), a entrevista que o locutor que vos fala gravou, em Maceió, com um homem que foi testemunha privilegiada dos bastidores da primeira eleição direta para presidente realizada no Brasil depois do fim do regime militar. Faz exatamente vinte anos que o Brasil foi às urnas para decidir o jogo entre Collor e Lula. Deu Collor na cabeça. O personagem do DOSSIÊ GLOBONEWS é Cleto Falcão - um dos principais articuladores da candidatura do então governador de Alagoas, Fernando Collor, à presidência da República. Eleito Collor, Falcão chegou a ocupar o posto de líder do partido do governo na Câmara dos Deputados. De volta a Alagoas, hoje é assessor parlamentar da Assembléia Legislativa de Alagoas. Ninguém dava um tostão furado pela candidatura do então governador de Alagoas,Fernando Collor, quando ela foi lançada. Os empresários deram milhões. Os eleitores deram algo mais valioso: votos. Bom de palanque e de TV, Fernando Collor bateu o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva: 35.089.998 votaram em Collor,contra 31.076.364 que apostaram em Lula. O resto é história. O lance mais polêmico da campanha eleitoral de 1989 foi a decisão tomada pela campanha do candidato Fernando Collor de veicular, em rede nacional de TV, no horário de propaganda eleitoral, um depoimento em que uma ex-namorada revelava que o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, escondia a existência da filha que tivera com ela. A divulgação do depoimento abalou notoriamente a performance de Lula no segundo e decisivo debate com Fernando Collor. Cleto Falcão diz que havia “pânico” no staff do candidato Collor diante do progressivo avanço de Lula nas pesquisas eleitorais, às vésperas do embate final - o segundo turno. A cúpula da campanha se reuniu, então, para avaliar se a fita gravada com a ex-namorada de Lula seria ou não levada ao ar. “Ninguém foi contra”, diz Cleto. Terminada a exibição privê, Collor disse as seguintes palavras, segundo Falcão : “A fita vai ao ar. Quem quiser ficar comigo fique. Quem não quiser f……-se !”. Anos depois, em 2005, em entrevista que me concedeu em Maceió, para uma série levada ao ar no Fantástico, Fernando Collor se declarou arrependido. Palavras textuais do ex-presidente: “Eu diria que não foi algo de bom gosto nem de bom tom. A utilização seria absolutamente desnecessária. Não o faria novamente.Mas, numa campanha eleitoral, no fragor da batalha, com as emoções desencadeadas de forma violenta, é difícil a gente ter uma medida correta dos termos que nós utilizamos e das ações que estaremos por realizar. É preciso levar em consideração o momento em que a decisão foi tomada. De qualquer maneira, sob o ponto de vista racional, em condições normais de tempratura e pressão, sem dúvida nenhuma eu não faria aquilo”. O que ninguém sabia, na campanha de 1989, era que o próprio Collor também tinha um filho fora do casamento. O comando da campanha teve de montar uma operação para manter em segredo a existência do menino. Mas o PT soube - e, segundo Cleto, chegou a enviar emissários a Maceió, para checar a história. O problema é que os detetives do PT não descobriram onde estava o menino ( Collor posteriormente reconheceu a paternidade, num gesto que Cleto Falcão elogia. Fernando James hoje é vereador em Rio Largo, município vizinho de Maceió). Trechos da entrevista que a Globonews levou ao ar:
O senhor participou da operação para esconder o filho que o então candidato Fernando Collor tinha tido fora do casamento ?
Cleto Falcão: “O pessoal do PT – da campanha de Lula – esteve aqui em Alagoas. Rodou, rodou e, na realidade, foi incompetente. Não tiveram a competência de localizar o menino – que morava aqui em Rio Largo, uma cidade vizinha de Maceió. Collor posteriormente reconheceu o menino como filho. Mas, naquele momento em que o PT esteve aqui, nós tínhamos acabado de denunciar Lula porque ele, Lula, tinha uma filha fora do casamento. Imagine se descobrem o menino – e vinha a mesma denúncia. Ia ser um estrago muito grande.Quem ficou encarregado de resolver foi Cláudio Vieira (secretário de Collor) – que o fez com competência. Tirou o menino daqui, com a mãe. Só voltou depois da campanha. Conheci o garoto com Collor já eleito presidente, antes de tomar posse. O garoto e a mãe saíram daqui só no período quente da denúncia que a suposta namorada de Lula fez. Nós passamos a temer que aquele mesma denúncia fosse feita contra a gente”.
O tesoureiro Paulo César Farias faz, dentro de uma piscina, uma confissão sobre as “sobras de campanha” : 52 milhões de dólares.
Um dos segredos mais bem guardados da política brasileira é o que acontece com as chamadas sobras de campanha. Que informação concreta o senhor tem sobre as sobras de campanha do então candidato Fernando Collor de Mello ?
Cleto Falcão: “Ao término da campanha, vim a Maceió para prestar contas das despesas no Rio de Janeiro. Eu havia sido coordenador da campanha no Rio. Estive com Paulo César Farias, tesoureiro da campanha, na residência de praia, onde ele foi assassinado. Ele estava tomando banho de piscina. Fiquei conversando com ele – eu do lado de fora, ele dentro da piscina. Perguntei: “PC, quanto você arrecadou na campanha, na realidade ?”. Ele disse: “134 milhões de dólares”. Fez uma pausa e disse:”Devem sobrar em torno de 52 milhões””.
O que é que aconteceu com esse dinheiro ?
Cleto Falcão: “A Polícia Federal, o FBI e a Scotland Yard não sabem. Eu vou saber?”. O dia em que Cleto Falcão testemunhou uma doação milionária de grandes empresários para a campanha de Fernando Collor à Presidência da República.
O senhor foi testemunha ocular de doações feitas por empresários à campanha do então candidato Fernando Collor à presidência. Qual foi a cena mais marcante que o senhor testemunhou nessas negociações ?
Cleto Falcão: “Uma cena muito marcante foi numa tarde em que fomos a São Paulo para um encontro de Fernando Collor com Antônio Ermírio de Moraes. Nós nos encontramos com ele na casa de José Ermírio de Moraes. Depois de muita conversa Antônio Ermírio, presidente do Grupo Votorantim, disse que tinha sido chamado pelo presidente José Sarney para disputar a presidência e não teria aceitado porque sabia que tiraria votos do centro e da direita – que era o eleitorado de Fernando Collor. Com isso, ele não queria pagar o preço de estar ajudando a eleger um irresponsável como Leonel Brizola ou um despreparado como Lula. Logo em seguida, ele disse que o grupo tinha uma contribuição a dar à campanha. O irmão de Antônio Ermírio, José Ermírio, passou um cheque para ele. E ele perguntou:” A quem entrego?”. Fernando Collor disse: “Entregue ao Paulo César”. Antes de chegar às mãos de PC Farias, o cheque passou por mim, porque eu estava sentado antes do Paulo César.Olhei discretamente o valor. Era o correspondente a três milhões de dólares. Obviamente, saía pelo caixa-dois, porque não houve contabilização nem nada. O cheque não era cruzado. Vinha do caixa-dois”.
Um palpite: as circunstâncias da morte de PC Farias só serão esclarecidas dentro de “vinte ou trinta anos”
O senhor tem dúvidas sobre as circunstâncias da morte do ex-tesoureiro da campanha, PC Farias ?
Cleto Falcão: “Não é questão de ter dúvidas. Honestamente, acho que por trás do assassinato de PC Farias existe uma história que só será desvendada daqui a vinte ou trinta anos. Eu simplesmente acho que acreditar que Suzana Marcolino pegou um revólver e matou o PC é como acreditar em Papai Noel”.
O que é que leva o senhor a fazer esta afirmação ?
Cleto Falcão: “Porque ninguém mata a galinha dos ovos de ouro. O PC sustentava Suzana. Era uma pessoa muito boa para ela. E porque a perícia diz que não havia pólvora na mão de Suzana. Não utilizou o revólver. Agora, como foi e em que circunstância é algo que somente dentro de muitos anos vai ser desvendado e descoberto”.
A morte de PC Farias pode ter alguma ligação com o destino dado aos 52 milhões de dólares que, segundo ele disse, sobraram da campanha ?
Cleto Falcão: “Acredito que não. Sem que eu seja um policial do setor de investigação, eu analisaria que o PC era inconveniente para muita gente: para empresários que doaram dinheiro; para pessoas que participaram da campanha e queriam manter aquilo em sigilo. Mas sem nenhuma vinculação com aqueles 52 milhões”.
Collor tenta, secretamente, se livrar do candidato a vice-presidente, Itamar Franco: “Toda semana, Itamar tinha um chilique” ( E o alerta de Jânio Quadros: governo de presidente jovem demais pode dar “merda”)
O senhor tomou parte de uma consulta secreta que foi feita ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para afastar o vice Itamar Franco da chapa do então candidato Fernando Collor. Por que foi feita a consulta ?
Cleto Falcão: “Porque ninguém agüentava os faniquitos de Itamar querendo renunciar toda semana. Itamar aceitou ser vice-presidente mas toda semana tinha um chilique. Queria renunciar. Fernando – de forma discreta – mandou fazer uma consulta a ministros do TSE para saber se era possível substituir o vice. O TSE informou que não. O vice só poderia ser modificado com a renúncia do próprio vice, num ato de vontade unilateral”.
O senhor foi testemunha de um diálogo entre o então candidato Fernando Collor e o ex-presidente Jânio Quadros, em Roma. O que foi que um disse ao outro ?
Cleto Falcão: “Famos a um jantar em homenagem a Jânio Quadros. Jânio recebeu Collor com uma certa frieza, porque Jânio, na realidade, queria ser candidato a presidente. Começou, então, a contestar a candidatura de Collor. Dizia que Collor era muito novo : primeiro, ele deveria ser senador, deveria adquirir experiência. E Collor saindo pela tangente. Jânio insistiu na questão da pouca idade. A certa altura, Jânio parou e perguntou: “Quantos anos você tem?”. Fernando disse: ”Tenho 39. Vou ter 40 na eleição”. Jânio fez um ar de surpresa, teatral. Disse: “Muito novo! Muito novo para ser presidente!”. Fernando disse: “Mas, presidente, gostaria de lembrar que o senhor foi presidente muito jovem, com pouco mais de quarenta anos!”. Jânio – que estava bebendo vinho – virou a taça, deu uma porrada na mesa e disse: “E deu na merda que deu ! E deu na merda que deu!”.
Jânio Quadros foi presidente com 43 anos. Renunciou apenas sete meses depois de tomar posse. Collor, eleito com 40 anos, também renunciaria, dois anos e meio depois da posse, num gesto extremo para tentar escapar da condenação no Senado. Não escapou. Condenado por “crime de responsabilidade”, passou oito anos impedido de exercer funções públicas. Em 1994, por falta de provas, o Supremo Tribunal Federal o absolveu.
Excelente artigo, bastante esclarecedor, sobre drogas, escrito pelo professor Ney Jansen, vale a pena conferir.
Drogas, Imperialismo e Luta de Classe
por Ney Jansen
A droga não é um fenômeno marginal
Nunca houve no mundo tantas drogas. A economia da droga movimenta cerca de 300 a 500 bilhões de dólares ao ano abastecendo um mercado de aproximadamente 200 milhões de pessoas. Esse número corresponde a 5% da população mundial entre 15 e 64 anos (ONU, 2005). A economia da droga irá se desenvolver a partir do final da década de 1970, início de 1980. Mas, o que permitiu o desenvolvimento do narcotráfico e quem lucrará com esse negócio?
O comércio de drogas tornou-se um dos mercados mais rentáveis do mundo. Cerca de 90% das receitas do tráfico vão para os bancos e são lavadas no sistema financeiro internacional. Os 10% restantes são repatriados aos países produtores e, são divididos entre os traficantes. A rentabilidade da droga é estimada em cerca de 3.000% enquanto que os camponeses ficam com apenas 0,1% do volume final dos negócios (KOPP, 1998).
O Brasil, um dos principais corredores de drogas do mundo é considerado pela ONU um “mercado de expansão do tráfico” (ONU, 2004). No nordeste, na região conhecida como “polígono da maconha”, a droga tornou-se a alternativa de sobrevivência dos agricultores arruinados. Um relatório produzido por uma comissão da Câmara dos Deputados em 1997 sobre a região afirmava que:
(...) a falta de uma política agrícola que garanta assistência técnica e preços justos, além da falta de investimentos sociais, tem servido de estímulo para que pequenos produtores optem pela maconha em vez de tomate, melancia, cebola e melão, base da agricultura irrigada do São Francisco. (MENEZES, 2001)
Desemprego, drogas, criminalidade...cada vez mais jovem
Segundo a OIT[1] (Organização Internacional do Trabalho) em 2003, 88 milhões de desempregados no mundo eram jovens. Esse número correspondia a 47,3% do total de desempregados do mundo mesmo sendo os jovens (de 15 a 24 anos) apenas 25% da população mundial.
Diante desse fato o aumento das atividades criminosas aparece como a única saída. Segundo Dorothea Schmitd (OIT, 2003) co-autora do relatório:
Há regiões em que você não tem trabalho, não tem alternativa. É especialmente nessas regiões que vemos, ao lado de um aumento do desemprego, um aumento das atividades ilegais.
Relatório da ONU (2005) aponta que 18% dos jovens entre 15 e 24 anos vivem com menos de US$ 1 por dia. A cifra sobe para 45% se considerarmos os jovens que vivem com menos de US$ 2 (515 milhões de jovens) por dia.
O uso de drogas é cada vez mais cedo. De acordo com o Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas) em 1997, o percentual de adolescentes do país que já consumiram drogas entre 10 e 12 anos de idade é extremamente significativo: 51,2% já ingeriram bebida alcoólica; 11% usaram tabaco; 7,8% solventes; 2% ansiolíticos e 1,8% anfetamínicos (SENAD, 2003).
Em 2002 é publicado um estudo tendo por base o envolvimento de jovens no tráfico na cidade do Rio de Janeiro na qual se demonstrou um aumento no número de crimes na década de 1990 e ao mesmo tempo a redução da idade do ingresso das crianças no narcotráfico. A média de 15-16 anos nos anos 1990 caiu para 12-13 anos em 2000. Os jovens são em sua maioria pobres, negros e com baixa escolaridade (média de 6,4 anos).
Entre 1996 e 2000 foram presas e atendidas na 2ª Vara da Infância e Juventude na cidade do Rio de Janeiro, 25.488 crianças. Os crimes envolvendo drogas representaram 36% dos casos. Desse total, 23% foram por tráfico e 13% por uso (OIT, 2002).
Drogas e capitalismo vão unidos
O comércio de drogas esteve vinculado à expansão internacional do capitalismo e também à sua expansão colonial-militar. Como testemunha as guerras do ópio (1840-1860). Os portugueses, a partir do século XVI e XVII, começam a comercializar ópio que compram na Índia e introduzem na China. No século XVIII os ingleses substituem os portugueses. Em 1729 o ópio é proibido pelo governo chinês.
A Inglaterra obtinha lucros na época, da ordem de 11 milhões de dólares com o tráfico de ópio para a cidade chinesa de Lintim. Na mesma época, o volume do comércio de outros produtos era de 6 milhões de dólares (COGGIOLA, 1991). Desde 1779 o ópio era um monopólio da East Indian Company (Companhia das Índias Ocidentais). Tudo isso aconteceu com a aprovação declarada e, documentalmente registrada, do parlamento inglês.
A droga como "negócio" também era observada por MARX (1978, p 67):
A fuga constante da prata causada pelas importações de ópio, tinha começado a afetar o Tesouro público e a circulação monetária do Império do Sol. Hsu Naichi, um homem de estado chinês dos mais distintos, propôs a legalização do comércio de ópio para fazer dinheiro com isso; mas, depois de grande discussão, na qual participaram todos os altos funcionários do império e que se estendeu por um período de mais de um ano, o Governo chinês decidiu que, ‘por causa dos males que infligia ao povo, o tráfico nefasto não deveria ser legalizado’.
O governo chinês alarmado pelos efeitos do ópio bem como pelo roubo do ouro e da prata apela a Rainha Victória, que não dá ouvidos. Os chineses começam então a destruir o carregamento de ópio e a Inglaterra então declara guerra. O resultado é a invasão inglesa com derrota da China, que é obrigada a ceder Hong Kong.
O uso generalizado de drogas apenas é possível quando esta se converte em mercadoria de alta rentabilidade. A produção massiva de drogas ocorrerá apenas a partir da Revolução Industrial. A agricultura industrial voltada à produção para mercados externos dá lugar à produção massiva de drogas. De acordo com COGGIOLA (1991, p 136):
a grande transformação das economias monoprodutoras em narcoprodutoras e o grande salto do consumo dos EUA e na Europa se produziu durante os anos oitenta, quando os preços das matérias primas despencaram no mercado mundial: açúcar (-64%), café (-30%), algodão (-32%), trigo (-17%). A crise econômica mundial exerceu uma pressão formidável em favor da narco-reciclagem das economias agrárias, que redundou num aumento excepcional de oferta de narcóticos nos países industriais e no mundo todo.
Essa narco-reciclagem das economias é a expressão direta das políticas de “ajuste estrutural” impostas pelo FMI e o Banco Mundial. A privatização de diversos setores das economias em muitos países resulta na supressão de milhões de empregos. Tudo isso provoca uma transferência maciça de mão de obra para a economia dita “informal” e em particular para a produção de drogas, em países como Bolívia, Peru, Colômbia, Afeganistão. Pela sua rentabilidade, as culturas de drogas permitem compensar com vantagens a falta de ganhos registrados em outras culturas.
Em 1985 na Bolívia sobe ao poder uma coalizão de direita. De acordo com DEL ROIO (1997, p 118):
(...)...foi aplicada uma política econômica que levou os índices de desemprego a 30%. As mineiras são fechadas, as atividades produtivas paralisadas e o que restava de Estado social, desmantelado. O Fundo Monetário Internacional aconselha e pressiona para a liberalização geral. O presidente Paz Estenssoro, com o decreto DS 21.060 declara que todas as moedas cotadas podem ser depositadas nos bancos bolivianos, em qualquer quantidade e sem controle nenhum, com respeito total ao sigilo bancário em relação a sua proveniência. Os aplausos dos organismos econômicos internacionais foram generalizados. Significou o sinal verde para grandes investimentos na coca. Ela se transformou em fonte de sustento para uma boa parte dos bolivianos, mergulhados na miséria. Aconteceu que em pouco tempo no planalto de Chapare[2], o melhor terreno para a plantação, a população passou de 20 mil habitantes para 200 mil. Caso quase único de esvaziamento das cidades e retorno ao campo.
A cocaína
Testemunhos arqueológicos do consumo da folha de coca pelos indígenas nos Andes (Peru) datam de 2.500 AC. O governo Inca tinha o monopólio da coca mas a distribuía com moderação apenas para usos rituais. De acordo com SOMOZA (1990, p 18):
A coca está ligada às origens das diversas culturas andinas, fazendo parte da economia do império Inca, baseada na troca, mas também na farmacopéia, tendo sido utilizada pelos médicos indígenas na cura e prevenção de diversos males e para amenizar dores.
No entanto:
(...) após a invasão espanhola, conhecida como 'descoberta' (séculos XV-XVI), a coca passou a fazer parte da economia colonial...Os espanhóis tinham interesse na difusão do hábito de consumir coca, pois era, de um lado, meio de sustentação da população explorada e de outro, produto a ser comercializado em larga escala em todo o país.
Os espanhóis a época da colonização estimulavam o consumo e o comércio de coca. Era um grande negócio. A Igreja católica cobrava dízimos sobre a nova mercadoria. Portanto, o uso da folha de coca na sociedade colonial começa a mudar quando:
(...) o boom da coca observou-se na metade do século XVI ligado ao desenvolvimento de outras atividades que concentrou milhares de índios nas zonas ricas em minérios...Essa grande massa de trabalhadores escravos tinha que ser mantida pela estrutura estatal colonial e a coca revelou-se o produto mais econômico, devido às suas características nutritivas e vitamínicas. Então, consumida em larga escala, permitia manter os mineiros vivos com uma pequena porção de batatas e feijões, pelo menos durante o período útil de sua vida, isto é, dez a quinze anos.
O interesse pela cocaína na história recente começou pelo seu isolamento químico em 1858-60 pelo alemão Albert Newman. A folha de coca possui cerca de 250 variedades mas, apenas 2 são ricas em alcalóides, componente químico necessário para a sua transformação em cocaína. A cocaína a partir de sua purificação passou a ser utilizada apenas para fins médicos.
No final do século XIX o uso de cocaína se alastrou e, algumas bebidas como o Vinho Mariani e a Coca-Cola apresentaram concentrações razoáveis da substância por vários anos. A partir da década de 1960 a cocaína passou a ser utilizada pelas elites. A cocaína só se tornará uma droga mais “popular” na década de 1980 com a queda dos preços das matérias primas no mercado mundial e a narco-reciclagem das economias.
O ópio
Originário do Oriente médio e introduzido pelos árabes na Índia e na China, é derivado da palavra grega que significa “suco”, e é extraído do fruto da papoula podendo ser fumado, ingerido ou injetado causando exagerada dependência. Os efeitos do ópio causaram a desintegração social na China dos séculos XVIII e XIX por ocasião da introdução massiva da droga feita por portugueses e depois os ingleses, facilitando a desestruturação social, resultando na invasão da China (na chamada “guerra do ópio”).
A maconha
Conhecida a cerca de 12.000 anos. Com a planta os gregos e os chineses faziam cordas que eram utilizadas em navios. Como medicamento começou a ser usada na China há 3.000 anos no tratamento intestinal, de malária e dores reumáticas.
Defensores da legalização da maconha propagam a idéia de que a cannabis seria uma “droga leve”. No entanto ao se comparar a maconha com a nicotina, o médico Phd LARANJEIRA (2001, p 17, 18) afirmará que:
(...) o fato do usuário de maconha reter a fumaça por mais tempo nos pulmões do que o fumante de cigarro comum facilita o aparecimento e o desenvolvimento do câncer. Além disso, a maconha é fumada sem filtro e sua fumaça tem cerca de 50% mais substâncias cancerígenas, o que contribui para um risco maior de desenvolvimento de câncer. Certamente as alterações cerebrais produzidas pela maconha são mais pronunciadas do que as produzidas pela nicotina. A maconha provoca alterações significativas no eletroencefalograma e no fluxo sanguíneo cerebral. Ademais, causa alterações consideráveis de memória e de capacidade mental, além de problemas psiquiátricos que a nicotina não causa.
O uso medicinal da maconha pode servir para o tratamento de depressões, convulsões, glaucoma, náuseas, apetite, mas a substância que auxiliaria nesse papel terapêutico é o THC, justamente o componente químico que traz os efeitos psicoativos.
O álcool
Mas a droga e o capitalismo não estão unidos apenas no que diz respeito às drogas ilegais, mas também na comercialização e abuso de drogas legais. ENGELS (1986, p 122, 123) demonstrará o papel destruidor do álcool no seio da classe operária inglesa do século XIX como o único consolo e lazer, a única maneira de se suportar a dor da jornada de trabalho:
(...)...há ainda outras causas que enfraquecem a saúde de um grande número de trabalhadores. Em primeiro lugar a bebida. Todas as tentações possíveis se juntam para levar o trabalhador ao alcoolismo (...) O trabalhador...tem uma necessidade urgente de se divertir. Precisa de qualquer coisa que faça o trabalho valer a pena, que torne suportável a perspectiva do amargo dia seguinte...o seu corpo...exige imperiosamente um estimulante externo...nessas condições, a necessidade física e moral faz com que grande parte dos trabalhadores tenha necessidade de sucumbir ao alcoolismo (...) que incitam o trabalhador (...) a certeza de esquecer sua embriaguez, pelo menos por algumas horas, a miséria e o fardo da vida (...).o alcoolismo deixou de ser um vício no qual se pode responsabilizar aquele que o adquire. Torna-se um fenômeno natural, uma conseqüência necessária e inevitável de condições dadas.
Entre 1919 e 1933 vigorará a Lei Seca nos EUA na qual a comercialização de álcool será proibida. Nesse período o consumo diminuirá (35% menor), por outro lado favorecerá o comércio ilegal promovido pelas máfias -como a de Al Capone- lucrando com esse novo negócio (os preços foram multiplicados de 3 a 4 vezes). No entanto, o retorno à legalização do álcool como justificativa para se acabar com os lucros das máfias não impede que os EUA estejam entre os primeiros países de mais alto consumo de bebidas alcoólicas como prova que nem a repressão nem a legalização resolvem o problema.
A dominação colonial das grandes potências sobre os povos indígenas teve também no álcool um de seus meios de extermínio mais importantes. A destruição pelo alcoolismo foi utilizada amplamente pelos colonizadores brancos contra os indígenas na América.
A revolução de Outubro de 1917 na Rússia também teve que enfrentar o grave problema do alcoolismo. O governo bolchevique proibiu a fabricação e a distribuição de vodka. Não é causalidade que foi o governo de Stalin que reintroduziu o comércio de vodka no começo dos anos 1930, por ocasião da coletivização forçada, o extermínio da resistência dos trabalhadores e da oposição de esquerda.. Depois do fim da URSS, uma onda de drogas "ilegais" invade as republicas ex-soviéticas.
Das sociedades primitivas à sociedade capitalista
O consumo de drogas se fez presente ao longo da história. Em determinadas sociedades se tratava de um consumo local, geralmente moderado e vinculado a práticas culturais e religiosas. A utilização de drogas fora de qualquer marco cultural-religioso ocorre apenas quando a droga se converte em mercadoria. A produção massiva ocorrerá apenas a partir da Revolução Industrial (o ópio[3] se converte em morfina e heroína e a folha de coca em cocaína no final do século XIX, início do século XX).
O poder de vício das drogas aliás, vem aumentando. Traficantes misturam à cocaína outros produtos como talco, açúcar, pó de vidro, farinha, para que a droga possa ser vendida em maior quantidade e possa "render" mais. O conteúdo da substância ativa da maconha (o THC), é cada vez maior. Era de cerca de 1% na década de 1960. Hoje, é cerca de 4%. Mas na Califórnia, EUA, maior produtora de maconha do mundo a concentração é de 30%. Em países como a Holanda onde a droga é liberada a concentração de THC é superior a 20% (LARANJEIRA, 2001). Ou seja, legalizada ou não, a droga vem aumentando o seu poder viciante. Esses fatos questionam a “bandeira” dos defensores da legalização da maconha por considerá-la “droga inofensiva”.
Drogas na guerra
Durante a segunda guerra mundial a OSS (Oficina de Serviços Estratégicos) – antecessora da CIA - estabelecerá contatos com a máfia italiana. Lucky Luciano, um dos principais traficantes da época que estava na cadeia em Nova York condenado há 40 anos faz um acordo: em troca de informações de espiões nazi-fascistas em sua terra natal ele e vários mafiosos italianos seriam libertados das prisões. Depois de voltar a Itália em 1943 pelas mãos da OSS, Luciano construirá seu império através da heroína (DEL ROIO, 1993).
A segunda guerra mundial foi marcada entre outras coisas pelo uso generalizado de drogas. Soldados de Adolf Hitler eram movidos a drogas para continuarem “estimulados” no front. A droga utilizada no caso era o perventin (conhecida hoje como speed) na época chamada de “a droga-milagre” do exército alemão. As tropas alemãs foram abastecidas com milhões de comprimidos. Após ter sido lançando no mercado pela primeira vez em 1938, desenvolvido pela companhia farmacêutica Temmler de Berlim, entre abril e julho de 1940, mais de 35 milhões de comprimidos de perventin foram enviados ao exército e à força aérea alemã.
Numa carta com data de 09/11/1939, um soldado que estava na Polônia envia correspondência aos seus pais em Colônia:
As coisas não estão para brincadeira aqui, e eu espero que vocês vão entender se eu só escrever para vocês uma vez a cada dois ou quatro dias. Hoje, eu estou lhes escrevendo principalmente para pedir-lhes para me enviar mais um pouco de perventin...; Amo vocês, Hein.
Em 20/05/1940 outra carta:
“Será que vocês podem conseguir para mim uma maior quantidade de perventin, de modo que eu possa constituir uma reserva aqui?” E, em outra de 19/07/1940: “Sem querer lhes pedir o impossível, por favor, me enviem mais perventin”.[4]
Alguns anos mais tarde, outra guerra será marcada pelo uso generalizado de drogas: a guerra do Vietnã (1964-1975). Cerca de 30.000 soldados estadunidenses se tornaram dependentes de drogas (maconha, heroína) para que continuassem estimulados no front.
A década de 1980 foi marcada nos EUA pela pretensa “guerra às drogas”. O ex-presidente Ronald Reagan anunciou em 1986 a “cruzada contra as drogas”. Mas será que interessa para os governos representantes da burguesia combater as drogas?
A invasão no Panamá
No início do século XX, os EUA compraram o governo panamenho com 10 milhões de dólares para se construir e administrar um canal que assegurasse a passagem de um oceano a outro. Ao longo do tempo, ocorreram revoltas incentivadas por militares nacionalistas. Aparece então em cena a figura de Manoel Antônio Noriega, agente da CIA desde 1967 e chefe da polícia panamenha a partir de 1970. Em 1981 ocorre misteriosa morte do presidente Omar Torrijos.
Noriega participou de esquema clandestino organizado pela CIA de financiamento das guerrilhas de direita (os “Contras”) contra o governo sandinista da Nicarágua, operação que ficou mundialmente conhecida em 1986 como o escândalo “Irã-Contras” (compra de armas no Irã para se financiar a guerrilha para derrubada do governo e da revolução sandinista na Nicarágua). Noriega, que esteve na folha de pagamento da CIA, chegou ao poder com um discurso nacionalista. Mas era um narco-traficante.
O Cartel de Medellín, com a ajuda de Noriega, exportou para os EUA entre 1984 e 1986, 2 toneladas de cocaína e 500 toneladas de maconha. A mídia nos EUA desenvolve uma campanha contra ele. Em 15/12/89 Noriega se proclama chefe de Estado e se declara em “estado de guerra” com os EUA. Resultado: 13.000 marines invadem o Panamá e dão um golpe de Estado. O pretexto: “combate ao narcotráfico”. O verdadeiro objetivo: se controlar o canal do Panamá.
O Afeganistão
Em 1978 ocorre no Afeganistão um golpe de Estado. O novo regime iniciou uma campanha antidrogas para erradicar a produção de ópio, provocando uma revolta das tribos que a cultivavam para exportação. Os rebeldes Mujhaidines (base da futura Al Qaeda de Osama Bin Laden), apoiados pela CIA, produziam ópio. A produção passou de 250 para 800 toneladas durante o tempo em que a CIA enviava armas à guerrilha para se lutar contra os soviéticos. Após assumirem o governo, os talibãs ordenaram em julho de 2000 a destruição dos cultivos de papoulas.
A produção de drogas foi retomada depois da invasão militar dos EUA ao Afeganistão em 2001. Após a invasão, o Afeganistão superou a Colômbia e se tornou o maior produtor mundial de drogas (principalmente ópio e heroína) e, em 2003, o negócio faturou 2,3 bilhões de dólares, mais da metade do PIB do país. O Afeganistão produz atualmente 92% do ópio mundial.
O caso da Colômbia
A Colômbia produz cerca de 80% da cocaína do mundo e o narcotráfico representa 10% do PIB num país com 60% de miseráveis. Isso só foi possível pois, na década de 1980, com a queda dos preços das matérias primas no mercado mundial, os fazendeiros deixaram de produzir café para produzir cocaína. O governo colombiano passa a autorizar empréstimos externos nos quais os dólares eram trocados por pesos, possibilitando que o dinheiro do narcotráfico ampliasse a atividade econômica. Esse plano ficou conhecido como a Ventanilla Siniestra. Com a introdução desse plano, diversos governos colombianos deram anistias tributárias, por meio das quais foram incorporados e legalizados os investimentos dos narcotraficantes (UPRIMIY, 1997).
Essa verdadeira oficialização da lavagem fortaleceu o poder político dos traficantes. O mega-traficante Pablo Escobar será eleito para a Câmara dos Deputados. O ex-candidato a presidente em 1989 Luis Galán defenderá a “guerra ao narcotráfico”. É fuzilado enquanto discursava no palanque. Vários políticos, congressistas e até presidentes (como o ex Ernesto Samper e o atual Álvaro Uribe) são acusados de terem pertencido e serem financiados pelos Cartéis. Militares colombianos e norte-americanos, membros da embaixada dos EUA, estão envolvidos com o narcotráfico. Em virtude do poder do narcotráfico nas estruturas estatais a Colômbia é considerada um “Narco-Estado”.
Os EUA e a União Européia investem bilhões de dólares com o chamado “Plano Colômbia”. No entanto, com relação à suposta proposta de erradicação do tráfico, as áreas de cultivos de coca variavam de 40.000 a 50.000 hectares entre 1986-1996 e, após o Plano Colômbia, aumentaram drasticamente atingindo o máximo histórico de 169.800 hectares (em 2001). O exército colombiano utiliza desfoliantes químicos que afetam a saúde humana, contaminam as águas e os animais, arruinando os camponeses que vivem do cultivo da droga (ao invés de fomentar uma efetiva política de substituição de cultivos).
O Plano Colômbia representa uma ameaça a soberania dos países da América latina com a justificativa para intervenções políticas e militares. O exemplo é a base militar de Manta no Equador, onde desde 1999 a CIA assessora o exército colombiano. O Plano Colômbia também visa atacar as guerrilhas de esquerda que surgiram com base nos movimentos por reforma agrária. Do ponto de vista geopolítico, os EUA procuram manter sua dominação no norte da América do sul (região do canal do Panamá e de produção e fornecimento de petróleo).
Através do aparato militar estadunidense instalado no continente se instituem mega-projetos financiados pelo Banco Mundial de constituição de hidroelétricas, petrolíferas e empresas de mineração para se apossar dos recursos naturais da Colômbia e de demais países da América latina.
O surgimento do crack
Na década de 1980 jovens do bairro pobre de South Central de Los Angeles, Califórnia, foram devastados pelo crack. Em 18/08/1996 o jornal local San José Mercury News, publicou uma série de artigos sobre como a droga se apoderou daquele território.
O que esteve por trás de tudo: o escândalo Irã-Contras e as ligações entre a CIA, DEA (Departamento Anti-Drogas) e os cartéis colombianos, protegendo a entrada de drogas nos EUA para financiar os “Contras” na Nicarágua A citação é longa mas merece ser reproduzida por extenso:
Os que possuem boa memória se recordarão do processo contra o coronel Oliver North, que terminou com sua condenação. Os autos desse processo demonstraram com nomes e fatos que por vários anos a CIA e a DEA estiveram em contato com os chamados cartéis colombianos, protegendo, a entrada de drogas nos Estados Unidos. Tal operação servia para encontrar fundos ilegais para financiar as forças opositoras ao governo sandinista da Nicarágua. Lembremos também que esses fatos foram provados por uma comissão no Senado, presidida pelo já citado, senador John Kerry.
É neste clima que Danilo Brandon, pertencente a uma das famílias mais ricas da Nicarágua e expoente do partido anti-sandinista Fuerza Democrática, entra em contato com Ivan Meneses, pequeno criminoso, já fichado pela polícia norte-americana. Juntos encontraram em Honduras um tal coronel Bermudez, regularmente pago pela CIA, que lhes propõe traficar a cocaína da Colômbia para o interior dos EUA para conseguir fundos. Entram em contato com o chamado cartel de Cáli e tentam entrar no mercado de Beverly Hills, famoso bairro onde se concentram os ricos de Hollywood. Porém os canais já estão ocupados. Experimentam então com as zonas mais pobres de Los Angeles, mas a cocaína custa muito caro para os bolsos dos jovens e o preço de mercado não deve ser rebaixado porque entrariam em conflito com outras quadrilhas.
Os valentes `combatentes pela liberdade` encontram-se num impasse, até que uma inovação tecnológica vem resolver seus problemas. Através dos cristais que restam da fabricação da cocaína, é possível fabricar uma droga muito mais barata e mortal, adequada aos pobres, que será chamada de crack. Eis que os guetos negros de Los Angeles, onde o desemprego juvenil chega a 45%, pode ser inundado com o novo produto. Por cinco anos de 1982 a 1987, os contras nicaragüenses, com a cobertura de organismos oficiais, despeja 100 quilos de cristais de coca semanais sobre South Central. Os lucros são lavados em Miami e partem para a América Central para alimentar a subversão contra o governo de Manágua.
Ao tomar conhecimento desses fatos, a comunidade negra justamente se rebela e exige a abertura de um processo que lance luz sobre os episódios e condene os culpados. A reação da administração Clinton é hesitante, e faz-se de tudo para sepultar o episódio. O jornal conservador Washington Post, mesmo reconhecendo que a CIA conhecia pelo menos parte das atividades dos traficantes e que não fez nada para bloqueá-los, tenta desmoralizar os artigos publicados pelo San José Mercury News, dizendo que a quantidade de cristais de coca que entraram em Los Angeles por mãos dos contras nicaragüenses não foram 27.000 quilos mas apenas 5.000!!!
Mesmo aceitando a cifra menor acenada pelo Washington Post, isso significa algo como 10 milhões de doses. Além do quê, a partir dessa atividade criminosa exercida contra os negros de Los Angeles, o crack espalhou-se pelas metrópoles dos Estados Unidos e de vários países latino-americanos. Esta é uma história para recordarmos quando vemos nas ruas de São Paulo as nossas crianças agonizando ou cometendo crimes porque viciadas em crack. Agora sabemos quem são os primeiros responsáveis, que elaboraram suas perversidades e decretaram que tantas crianças não deveriam possuir sonhos e nem futuro (DEL ROIO, 1997, p 120, 121, 122).
Drogas contra o movimento operário e popular
O surgimento do crack na década de 1980 além de evidenciar o papel criminoso do governo estadunidense, tem por antecedência o papel político que as drogas desempenharam nos EUA nas décadas de 1960 e 70. É nesse período que surge em 1966 o Partido dos Panteras Negras, organização - com ideais socialistas - da classe operária e da juventude negra dos EUA que no seu “programa dos 10 pontos” afirmava:
Acreditamos que o governo racista e fascista dos Estados Unidos usa de suas agências de lei domésticas para a execução do seu programa de opressão contra o povo negro, contra outras pessoas de outras etnias e contra as pessoas pobres nos Estados Unidos. Acreditamos ser do nosso direito, portanto, defender-mos a nós mesmos contra tais forças armadas, e de que todas as pessoas negras e oprimidas estejam armadas para a autodefesa dos nossos lares e comunidades contra estas forças policiais fascistas[5].
Defender a auto-organização política e militar do povo negro na luta contra a opressão social e racista do governo e da polícia tornou-se intolerável e uma preocupação para a burguesia e seu governo. Além de destruir as sedes, prender e assassinar os militantes Panteras Negras, a CIA e o FBI passarão em associação com narcotraficantes da América latina a despejar toneladas de cocaína, maconha, heroína, nos bairros negros visando a desarticulação política, levando à dissolução do Partido.
ABU-JAMAL (2001, p 96, 97, 98) ex-militante dos Panteras Negras, comentará o papel do crack nas comunidades negras nos EUA:
Um espectro assombra as comunidades negras da América. Como vampiro, suga a alma das vidas negras, não deixando nada senão esqueletos que se movem fisicamente mas que estão afetiva e espiritualmente mortos. Não é o efeito de um ataque do Conde Drácula nem de uma praga lançada por algum feiticeiro sinistro. É o resultado direto da rapinagem planetária, das manipulações dos governos e da eterna aspiração dos pobres a fugir, aliviar-se, ainda que brevemente, dos paralisantes grilhões da miséria extrema.
A sua procura de alívio se soletra C-R-A-C-K. Crack. Pedra. Chame como quiser, pouco importa; ele é na verdade, uma outra palavra para “morte” nas comunidades afro-americanas (...) A história recente, aquela dos anos 60, anos de protesto e mobilização, conheceu, igualmente, um súbito aumento no consumo de drogas nos bairros negros: pílulas variadas, maconha, heroína...A oposição radical da época já desconfiava que a mão maldita do Grande Irmão tinha aberto as comportas das drogas para sufocar a chama revolucionária negra de resistência urbana (...) A época é sinistra para os africanos nos Estados Unidos. Nós sobreviveremos a esse flagelo?
A lavagem do dinheiro e os paraísos fiscais
Um dos mecanismos fundamentais para a sustentação da economia da droga é o sigilo bancário, um empecilho à investigação do dinheiro sujo, que só pode ser quebrado por autorização judicial. O sigilo bancário, baseado no sagrado “direito de propriedade” do capitalismo, é um dos trunfos do narcotráfico e do sistema financeiro mundial, que absorve os lucros do crime sem perguntar pela origem.
Os “paraísos fiscais” são, como o próprio nome diz, o paraíso do capital financeiro, onde não se pagam impostos e onde há um rigoroso sigilo bancário. Estima-se hoje em 40, os paraísos fiscais no mundo onde se lavam os narco-dólares.
Lavar dinheiro significa reincorporar ao sistema financeiro os valores obtidos ilegalmente. Existem diversas formas. Uma delas é transferir o dinheiro dos paraísos fiscais para diversas outras contas ou fazer transações abaixo de 10 mil dólares (limite exigido para prestação de informações da Lei do sigilo bancário nos EUA). Ou então, através da venda de cartelas dos bingos ou da venda supervalorizada de jogadores de futebol.
O capitalismo nunca foi tão propício a aplicações, transferências e especulações beneficiadas pelas inovações tecnológicas e pelas “operações em rede”[6] do sistema bancário e financeiro. Segundo a OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico) estima-se que seja lavado até 1,5 trilhão de dólares por ano no mundo.
No Brasil, de acordo com o Coaf (Conselho de Controle das Atividades Financeiras), apenas 34 dos 50 maiores bancos informaram ao governo brasileiro sobre contas suspeitas entre 1998 e 2002. A expansão do mercado ilegal de dólares (contrabando, narcotráfico) desenvolveu esquemas para remessas ilegais de divisas para o exterior. É o caso das famigeradas contas CC-5 (Carta Circular n° 5, do Banco Central de 1969), destinadas à pessoas físicas ou jurídicas que residem no exterior mas que movimentam dinheiro nas contas nacionais. Essas contas são o verdadeiro esgoto pelo qual passam o dinheiro sujo provenientes de atividades ilegais para o exterior e que é lavado e reinvestido na economia “legal”.
Mundialização do capital e economia da droga
A superprodução de capital gera o crescimento da economia especulativa. A economia especulativa, da qual os narco-dólares são um dos principais componentes passou a parasitar a economia “real” sob a base da superexploração da força de trabalho.
A “crise da dívida” na década de 1980 levará às políticas de "ajuste estrutural" impostas pelo FMI (Fundo Monetário Internacional). A partir do período de domínio das transações financeiras a economia mundial entrou num processo de estagnação. De acordo com GLUCKSTEIN (1994, p 28, 29):
A explosão do desemprego no mundo demonstra que os enormes lucros saídos da especulação são obtidos ao custo de uma desindustrialização generalizada que arrasta a destruição estrutural dos empregos... Desindustrialização e especulação avançam a par: fusão, resgate de empresas, criação de instrumentos financeiros cada vez mais numerosos, ‘junk-bonds’, especulação imobiliária, comércio da droga, delitos de iniciados...Todos os especialistas estão de acordo que somente uma fração mínima dessas transações (da ordem de 1 a 2%, segundo avaliações) está relacionada com alguma atividade produtora de riqueza. Quanto à parte restante (98 ou 99%), trata-se de transações unicamente destinadas a tirar partido da menor variação do valor dinheiro para extrair uma fração suplementar da mais-valia através da especulação.
No bojo do processo de mundialização do capital e de liberalização (livre-comércio), o lucro passou a se realizar de maneira ampla no terreno da especulação financeira. IDEM (p 30, 31):
Lucros excepcionais nas Bolsas sobre um pano de fundo de profunda recessão econômica. Nunca, desde que o capitalismo existe, houve tamanha disparidade entre lucros realizados com base na especulação e na finança e o desmoronamento da realidade econômica...É esta a fonte de todo o caos, de todas as explosões.
Esse processo de estagnação econômica favorecerá o desenvolvimento da economia da droga tendo por base a desindustrialização, o desemprego e a devastação das economias agrárias locais. Além disso, como os petrodólares que passaram a irrigar o capital financeiro, a droga (narco-dólares) também irá contribuir com o processo de valorização do capital, irrigando também o sistema financeiro.
Segundo GLUCKSTEIN (1994, p 40):
No plano financeiro, o mercado do petróleo e o da droga tem algumas semelhanças. Uma e outra destas mercadorias tem preços que possuem uma relação muito longínqua com o seu custo de produção...Mas a comparação para por aí. Se os petrodólares permitiram criar a dívida dos países dominados, os narcodólares vieram substituí-los para assegurar uma parte do pagamento dessa dívida. E, sobretudo, não se fala das mesmas massas de dinheiro...se a relação entre o preço de produção do petróleo e o seu preço de venda no varejo é de 1 para 40, os cálculos efetuados pela Agência americana da luta antidroga (DEA) apontam para uma relação de 1 para 200, para a cocaína, e 1 para 2000 para a heroína.
O capitalismo mafioso é produto do crescimento desenfreado do capital financeiro cuja avidez de ganância tem levado a transbordar todas as barreiras legais e morais. Sua evolução vem associada a desregulação dos fluxos de capitais, à privatização do Estado e a ruptura das formas tradicionais de funcionamento e acumulação nas empresas. Pode-se muito bem dizer que a expansão mafiosa dos anos 70, 80, 90, constitui um fato decisivo do processo de mundialização do capital.
Legalizar as drogas?
Um dos argumentos a favor da legalização é que “não se pode destruir o comércio de drogas” pois para o camponês o preço do acre da folha de coca é muito superior ao do milho por exemplo (ARBEX, 1997). Mas, qual o significado desse argumento?
Na Bolívia, a plantação da coca é legal desde que utilizada em locais de cultivos tradicionais e medicinais, em rituais religiosos, pelas culturas indígenas. Mas, até o final da década de 1990, apenas 10% da folha de coca produzida era utilizada de forma tradicional, enquanto que 90% constituía o “excedente” destinado à fabricação de cocaína (URQUIDI, 2002, p 205). Na cadeia do narcotráfico é reservada ao cocalero a menor parte dos lucros gerados pelo comércio da droga o que, no entanto, não faz o camponês se libertar da situação de pobreza em que vive. Fato esse que o IDH[7] (Índice de Desenvolvimento Humano) do Planalto do Chapare está abaixo da média da região de Cochabamba.
O fato da folha de coca representar para o camponês boliviano ou peruano a única saída de sobrevivência é fruto da narco-reciclagem da economia, da destruição e privatização de parte do parque industrial boliviano.
Uma das formas de se combater as drogas significaria defender junto aos camponeses uma política de substituição de cultivos. Defender a legalização das drogas com base no critério do preço rentável da folha de coca significa ser conivente com o narcotráfico.
Legalizada, a droga entrará na lógica do “livre-mercado”?
Com a droga legalizada o seu consumo explodirá, pois seu status de “proibido” será derrubado atraindo muito mais gente para o consumo.
Sob o capitalismo a droga é uma mercadoria, o tráfico se organiza como uma empresa que objetiva o lucro. As máfias não deixarão de comercializar drogas. A legalização do álcool não impede o contrabando de whisky por exemplo. Assim como a legalização do álcool ou tabaco não impede que milhões morram de cirrose ou câncer de pulmão.
No tráfico de drogas não existe um “livre-mercado”.
No caso da coca o “livre-mercado” compreende no máximo as fases de transformação da matéria-prima. Por outro lado, a distribuição e a venda são comandadas por um número reduzido de grupos hierarquizados que controlam a fase mais rentável: a transformação da pasta-base em cocaína. (KOPP, 1998).
A Califórnia, maior região produtora de maconha do mundo, é comandada pelos latifundiários da droga. O mesmo vale para os latifundiários de maconha no nordeste brasileiro.
Legalizado, o comércio de drogas continuará oligopolizado, além da oferta de drogas aumentar, gerando lucros da mesma maneira para os narco-capitalistas.
Milton Friedman, economista, defensor do imperialismo diz “sou a favor da legalização de todas as drogas, não apenas da maconha” [8].
Friedman encabeça um abaixo-assinado junto com outros 500 economistas estadunidenses pela legalização da maconha apoiados pela ONG Marijuana Policy Project[9]. O que está em jogo para esses capitalistas é botar as mãos nesse rentável negócio que destrói a força de trabalho.
Segundo o estudo bancado por essa ONG “o governo deixaria de gastar bilhões em policiamento e arrecadaria bilhões de impostos”. Mas, esse mesmo estudo[10] afirma que com a legalização, lucrariam os latifundiários do agronegócio e empresas de bebidas alcoólicas. Não haveria nenhum boom de plantadores domésticos (ao contrário de diversos defensores da legalização que utilizam o slogan “não compre, plante”[11]). O comércio da droga como qualquer empresa capitalista estará nas mãos dos oligopólios. E o consumo obviamente aumentará.
Não é a toa que vários capitalistas já estão a espera da legalização para poder lucrar com isso. É o caso do mega-especulador George Soros que criou a ONG Lindesmith Center pela legalização das drogas.
O próprio estudo da ONG Marijuana Policy Project já cita os nomes das empresas que lucrarão com o novo negócio: os agronegócios Areher Daniels Midland e ConAgraFoods e as empresas de bebidas Constellation Brands e Allied Domecq.
Esse novo negócio interessa tanto a vários capitalistas que, no Canadá por exemplo, a maconha já rende mais do que o trigo girando cerca de 8,5 bilhões de dólares (cerca de 2.400 toneladas). Esse valor é três vezes o valor gerado pelo trigo canadense.
Muitos intelectuais e juristas para justificar a legalização das drogas afirmam que “a proibição gera o super lucro”. Como se o problema fosse o “super lucro” ou, como se legalizado, os lucros do narcotráfico diminuiriam...
Esse tipo de afirmação se baseia na crença de que as máfias das drogas sumiriam com a legalização. Como se fosse possível “humanizar” o narcotráfico, transformando o traficante em um “empreendedor”.
Ao se defender a legalização das drogas, na prática, trata-se de defender os interesses de vários setores da burguesia que querem lucrar com esse novo negócio. É a defesa de uma política reacionária.
Redução de danos e descriminalização?
Defensores da legalização total ou de sua vertente, a descriminalização[12], (o tráfico é proibido mas o seu consumo liberado) argumentam que com a droga liberada o seu uso seria “controlado”, a droga seria de “melhor qualidade”. Mas, em países na qual a maconha é liberada (Holanda) a concentração de THC é superior a 20% comparada a média que é de 4% (LARANJEIRA, 2001, p 10). Ou seja, aumentando o seu poder viciante.
O governo Lula aprovou uma nova Lei sobre drogas (11.343/06) na qual o porte de droga continua caracterizado como crime, mas prevê que os usuários e dependentes não estejam mais sujeitos a prisão. O usuário será apenas advertido, prestará serviços à comunidade, etc.
As propostas de descriminalização são uma armadilha pois um traficante facilmente poderá transportar pequenas quantidades de droga sob alegação de “uso pessoal”. Aliás, burlar a lei é o que fazem os traficantes, no mercado financeiro com transações abaixo de 10 mil dólares ou nas estratégias de defesa dos advogados do narcotráfico.
Uma das experiências de descriminalização das drogas foi a instituição de zonas livres para o consumo de drogas em praças ou então a criação de “narco-salas”. Essa política tem o nome de “redução de danos”. Como o próprio nome diz não se trata de se eliminar as drogas mas, reduzir seus danos de uma maneira “controlada”.
Uma dessas experiências foi a da praça Platzpitz em Zurique, Suíça, no início da década de 1990. Pensava-se que liberando as drogas podia se controlar seu uso. O que ocorreu foi o aumento da criminalidade e a disseminação do vírus da Aids entre os freqüentadores. A área foi fechada em 1995.
Evidentemente distinguimos o traficante e o usuário. O usuário deve se submeter a um tratamento compulsório com todos os recursos disponíveis pelo Estado.
No entanto, instituir narco-salas ou zonas livres significa partir do pressuposto que os dependentes continuarão a se drogar, devendo então apenas se “reduzir os danos”.
A utilização de drogas acarreta uma doença crônica em que a recaída é a regra. Por isso, permitir a utilização de drogas “sob controle” através de narco-salas é absurdo. O uso contínuo de drogas acarreta doenças cerebrais e psíquicas, agravadas pelo caráter viciante do produto, comprovado cientificamente (LARANJEIRA, 2001).
Tratar realmente o usuário significa o governo bancar uma ampla rede pública com centros de tratamento com profissionais bem treinados. Os governos devem efetivamente combater pela eliminação do consumo e não destinar parcos recursos que não fazem outra coisa que manter os toxicômanos se drogando sem reabilitá-los, apenas “reduzindo danos”.
Conclusões
A economia da droga é parasitária, não contribui para melhorar as condições de vida das populações e arruína o componente decisivo das forças produtivas: o trabalhador. A economia da droga é uma força destrutiva pois destrói a força de trabalho se alimentando do desemprego, da desindustrialização, e da narco-reciclagem das economias agrárias.
Combater a produção de drogas exigiria que fossem completamente questionadas as políticas de “ajuste estrutural” sob a qual o tráfico encontra seu sustento (privatizações, demissões, sub-emprego). A luta contra a lavagem exigiria um ataque a todo o sistema mundial de circulação de capitais.
Portanto, não é a toa que, de acordo com GLUCKSTEIN (1994, p 41):
(...) se o dinheiro da droga fosse suprimido, seria um setor inteiro das fontes da atividade especulativa que desapareceria, o qual estima-se, tem uma progressão de cerca de 2 trilhões de dólares por ano, desde o início da década de 80. Pode-se mesmo dizer que, na falta de uma política de conjunto de erradicação da economia da droga, o imperialismo está empenhado numa via que é a do controle sobre os fluxos de capitais resultantes do tráfico de droga. A tal ponto que existem cada vez mais vozes a defenderem a legalização pura e simples do narcotráfico.
Todos aqueles que defendem a emancipação política e social da classe trabalhadora devem abordar o problema da droga do ponto de vista da luta de classe para defendermos os direitos e a própria existência dos trabalhadores e de suas organizações o que inclui a defesa da própria saúde. A droga não é apenas contra-revolucionária. A droga é uma forma privilegiada de ataque contra a classe operária e em especial contra a juventude operária.
Uma plataforma mínima contra as drogas significaria: fazer a reforma agrária nas terras em que se produz droga e incentivar a política de substituição de cultivos; confiscar todo o dinheiro e as propriedades oriundas do tráfico e da lavagem; acabar com o sigilo bancário e centralizar o crédito nas mãos do Estado (nacionalização dos bancos); defender um tratamento público, eficaz e humanitário aos dependentes de drogas com recursos suficientes bancados integralmente pelo Estado; por fim, uma política que gerasse emprego para todos, começando pela redução da jornada sem redução de salário.
O fim da droga não ocorrerá pelo capitalismo. Somente a expropriação do capital, a liquidação do Estado burguês, a liquidação da exploração, ou seja, somente com a revolução proletária, o problema da droga poderá ser cortado pela raiz.
Referências bibliográficas:
ABU-JAMAL, Mumia. Ao vivo do corredor da morte. São Paulo: Conrad. 2001.
ARBEX JR, José. Narcotráfico: um jogo de poder nas Américas.São Paulo: Moderna. 1997.
CARVALHO, Jairo e MENDONÇA, Maria Luisa. Perigos do Plano Colômbia. Site: www.dhnet.org.br
CERVINI, Raul. O processo de lavagem de dinheiro: as networks ilícitas de poder. In. Drogas: hegemonia do cinismo. São Paulo: Memorial. 1997.
COGGIOLA, Osvaldo. Questões de história contemporânea.Belo Horizonte: Oficina de Livros. 1991.
SOMOZA, Alfredo.Coca, cocaína e narcotráfico. São Paulo: Ícone. 1990.
UPRIMIY, Rodrigo. Narcotráfico e poder: algumas reflexões teóricas sobre o caso colombiano. In Drogas: hegemonia do cinismo. São Paulo:Memorial. 1997.
URQUIDI, Viviam. O movimento cocalero na Bolívia. In. América latina: encruzilhadas da história contemporânea. São Paulo: Xamã. 2002.
ZIEGLER, Jean. A Suíça lava mais branco. São Paulo: Brasiliense. 1990.
Sobre o autor: Bacharel e Licenciado em Ciências Sociais pela PUC-SP e professor da rede pública estadual de São Paulo. O artigo é baseado no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) entregue pelo autor, sob orientação do professor Adrian Ribaric.
Depois de um ano de afastamento da presidência do Ipanema Atlético Clube, Robério Malta eleito duas vezes por maioria esmagadora de votos pelos sócios do clube, volta a reassumir o cargo.
No dia 26 de novembro de 2008 Robério Malta foi surpreendido com uma liminar do Juiz André Luiz Tenório Cavalcante, na qual o Conselho Deliberativo do IAC pedia seu afastamento, sem que houvesse uma alegação convincente.
Qualquer morador de Santana do Ipanema que tenha um conhecimento mínimo dos acontecimentos relacionados ao futebol local sabe da influencia que a família Bulhões capitaneada por Isnaldo Bulhões tem tido sobre o IAC. Durante alguns anos a paz reinou entre o presidente e o manda-chuva, porém depois de um desentendimento Robério Malta decidiu romper com o “dono” do Ipanema alegando que o IAC estava afundado em dívidas, apesar da enorme propaganda da família política. A partir daí as portas começaram a se fechar, e alguns torcedores desavisados, ou interesseiros, cuidaram de agir contra Robério, exigindo a sua renúncia.
Todos os esforços foram empreendidos para que Robério saísse da presidência do clube santanense. Uma forte campanha na imprensa local tentou desmoralizar o presidente que dedicou boa parte de sua vida aquele clube.
Os recursos oriundos do Executivo, no valor de R$ 20 mil/mês foram cortados, recursos que tinham sido aprovados pelo Legislativo Municipal na época da aliança entre Robério e a grande família. Os patrocinadores se tornaram cada vez mais escassos. Quem antes garantia certo valor mensal, passou a fechar as portas. Alguns nem escondiam sua subserviência, quando afirmavam: “só colaboro se o Popozão mandar”.
Porém, depois de um longo período de angustia, entre idas e vindas em busca de justiça, no dia 29 de outubro do corrente ano, o mesmo Juiz dá sentença em favor da volta de Robério Malta ao Ipanema Atlético Clube. Sentença que só foi cumprida ontem (05/11), depois de várias ligações a fim de encontrar o oficial de justiça para que o mesmo pudesse informar da dita decisão à diretoria interina, afim de que a nova diretoria fosse imediatamente reempossada.
Achando que a nuvem negra tinha passado naquele momento, Robério Malta não sabia que a retomada do cargo ainda lhe guardava infeliz surpresa.
Ao chegar à sede do clube, o presidente do IAC pediu que o oficial de justiça o acompanhasse até as dependências do clube para testemunhar o que o mesmo estava recebendo. Diferentemente do oficial que veio lhe tomar o cargo, esse se negou a entrar no prédio, alegando que não era sua obrigação. Já sentindo que algo estava errado Robério Malta convocou imediatamente a imprensa local (sites e rádios), para registrar o momento. Ele estava certo, pois ao entrar na sede do clube Robério, juntamente com a imprensa, presenciou que tinham levado tudo. Só deixaram o campo de treino, talvez por não ter aonde colocar.
Este blog esteve naquela sede e pode registrar (e publicar) toda a limpeza suja feita ali. Segundo levantamento feito por alguns dirigentes que reassumiram seus cargos, o rombo é incalculável. Tivemos acesso a alguns dados sobre os bens desaparecidos.
Materiais que sumiram da sede do IAC:
Duas televisões, de 14 e 21 polegadas;
Dois gelaguas;
Duas bombas de água;
Oito camas;
Dois ternos infantis;
Seis ternos adultos;
Vinte e sete pares de chuteiras;
Vinte e três pares de tênis; e
Catorze bolas.
Hoje pela manhã o presidente Robério Malta esteve juntamente com o conselheiro do clube Antônio Euclides na 4ª Delegacia de Policia para registrar um boletim de ocorrência, onde denuncia roubo na sede do IAC.
Robério Malta ainda nos passou a informação de que não tem dúvidas que o sumiço deste material está ligado a sua volta, e que irá responsabilizar a comissão coordenada pelo senhor João Soares Neto, vulgo João Quenquém. Ele foi visto retirando matérias do vestiário do clube em duas carroças de burro e um carro. “Nomeada pela diretoria interina, essa comissão tinha plenos poderes no clube, por isso acredito que este ato covarde e mesquinho tenha sido praticado por esses malfeitores” - afirmou Rebério.
Mesmo diante de todos esses contratempos o presidente Robério Malta não desanimou, e já avisou que no próximo mês de dezembro o Ipanema Atlético Clube estará recebendo iluminação em seu Estádio, este feito é uma enorme vitória para o clube que ele tanto tem se dedicado e continuará dando tudo de si para a melhoria do esporte santanense. “O Ipanema é muito maior do que todos esses contratempos. Já passamos por muitos percalços, vamos vencer essa batalha, não temos dúvidas. A torcida merece coisa melhor” - finalizou Robério Malta.
O campeonato alagoano de futebol da primeira divisão tem inicio em 13 de janeiro de 2010, e o Ipanema tem vaga garantida na elite do futebol de Alagoas.
Fotos: Paulo Barbosa - comunicações
O pote é hoje o único local de beber água
No local da TV só tem a grade, e nos armários só vento.
Este é o resultado da devastação deixada pela diretoria interina do IAC, bola murcha e coletes velhos espalhados pelo chão, uma triste realidade.
Nesta segunda-feira, (09/11) o ex-superintendente da Polícia Federal em Alagoas José Pinto de Luna estará visitando o sertão alagoano.
As 9h Luna concederá entrevista na rádio Milênio, em Santana do Ipanema;
14hs a entrevista será na rádio Olho D’Água FM, em Olho D’Água das Flores;
As 16hs Luna deverá estar na cidade de Carneiros, onde concederá entrevista a rádio local;
E às 20h o delegado da PF Pinto de Luna estará na cidade de Palestina realizando uma palestra a convite da Comissão de Cidadania daquela cidade, como também do Fórum de Controle de Contas Públicas de Alagoas.
"É preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho, de observar com atenção a vida real, de confrontar a observação com nosso sonho, de realizar escrupulosamente nossas fantasias. Sonhos, acredite neles."Vladimir Lênin
CONCURSO PÚBLICO JÁ.
CONCURSO PÚBLICO EM SANTANA DO IPANEMA, JÁ!
HÁ OITO ANOS NÃO ACONTECE CONCURSO PÚBLICO EM SANTANA.
DE FORMA ILEGAL AS REPARTIÇÕES PÚBLICAS ESTÃO INCHADAS DE
ASSESSORES, PRONTOS PARA SERVIREM DE CABOS ELEITORAIS EM
SUCESSIVAS ELEIÇÕES.
POR ISSO ESTE BLOG DEFENDE:
Jornal Recomeço
Um espaço voltado para a discussão sobre o sistema penal no Brasil
"A injustiça avança hoje a passo firme Os tiranos fazem planos para dez mil anos O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são Nenhuma voz além da dos que mandam E em todos os mercados proclama a exploração; isto é apenas o meu começo
Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem Aquilo que nòs queremos nunca mais o alcançaremos
Quem ainda está vivo não diga: nunca O que é seguro não é seguro As coisas não continuarão a ser como são Depois de falarem os dominantes Falarão os dominados Quem pois ousa dizer: nunca De quem depende que a opressão prossiga? De nòs De quem depende que ela acabe? Também de nòs O que é esmagado que se levante! O que está perdido, lute! O que sabe ao que se chegou, que há aì que o retenha E nunca será: ainda hoje Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã"