terça-feira, 6 de julho de 2010

Os fichas sebosas de Alagoas

Delegados e acusados de assassinato disputam voto em Alagoas

Odilon Rios

O prazo para o registro das candidaturas foi encerrado na tarde de segunda-feira (5) e os partidos políticos de Alagoas resolveram oferecer uma "salada" de nomes aos eleitores. Delegados e acusados de assassinato disputam o voto no Estado. O senador Fernando Collor (PTB) registrou sua chapa ontem com o nome "O povo no governo". Na semana passada, fez um discurso contra os "bandidecos de merda", como chamou, pedindo que saíssem do Estado.

Na chapa de Collor está o deputado estadual Cícero Ferro (PMN), que já foi preso sob acusação de matar o primo, Jacó Ferro, em 2005, e o caso tramita na Justiça Estadual. Marcelo Victor PTB) tenta a reeleição na Assembleia Legislativa e foi acusado de furtar energia elétrica. Ele foi denunciado ao Ministério Público Estadual, que ainda não se posicionou sobre o assunto.

Por outro lado, os delegados João Mendes (PRB), Osvanilton Adelino de Oliveira (PMN) e Rubem Natário (PMN) tentam uma vaga na Câmara Federal ou Assembleia Legislativa, nas costuras de Collor. Osvanilton Adelino foi condenado a 32 anos de prisão e perda de cargo. Ele é acusado de torturar quatro rapazes, na Delegacia de Roubos e Furtos de Maceió, em 1998, com choque elétrico. O processo está em grau de recurso.

O atual governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) não tem acusados de assassinato em sua chapa, mas o presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Toledo, que também pertence ao PSDB, e tenta a reeleição, é investigado por contratar laranjas quando era prefeito da cidade de Cajueiro, no interior do Estado.

O Ministério Público pediu à Justiça a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Toledo e o caso continua tramitando no Judiciário. Ele tentou, mas não conseguiu uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado - órgão fiscalizador de prefeitos, vereadores e da própria Assembleia.

Com o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) está o deputado estadual Antônio Albuquerque (PT do B), que tentará a reeleição para a Assembleia Legislativa. Ele é acusado de assassinato e indiciado pela Polícia Federal como chefe de uma organização criminosa que desviou R$ 300 milhões da folha de pagamento da AL. A quadrilha foi descoberta, em 2007, na operação Taturana pelo delegado da PF, José Pinto de Luna (PT do B), que hoje concorre na chapa de Lessa a deputado federal. O caso está sob análise da Justiça Federal.

O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, que renunciou à Presidência da Casa por ser acusado de pagar contas pessoais através de um lobista, tenta a reeleição na composição de Lessa. Renan foi absolvido pelo Senado.

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Sérgio Campos